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Ele entrou de repente, e demos a volta ao mundo em 15 minutos

 

Ele entrou assim de repente e se agarrou na barra de ferro amarela que fica bem ao lado da porta de entrada, em frente a porta de saída, junto a sanfona do ônibus. Cabeça baixa, não chamou a atenção de praticamente nenhum dos passageiros, uns vinte, todos entretidos com os seus smartphones, surdos com os seus fones de ouvido.

Apenas a cobradora, uma mulher com os dedos cheios de anéis e os olhos pintados de azul, olhou para ele de cima a baixo, mas desviou o olhar assim que começou a falar sozinho. As cobradoras estão acostumadas com pessoas como ele, que entram nos ônibus e se recusam a passar na catraca, descem pela porta da frente. Andarilhos, anárquicos, livres.

Era um senhor que aparentava uns sessenta e poucos anos, maltratado pela vida. Vestia um jogging azul quase preto, ruço, uma camiseta cinza com os dizeres University of Florida, bem surrada, certamente comprada na 25.  Ele calçava um par de sapatos empoeirados, sem meias. O homem não olhou para ninguém, e de cabeça baixa ficou. Parecia ter os olhos fixos para o chão sujo de pó, gasto pelo tempo, típico de coletivo. Quase não se movimentava, mesmo com os solavancos que o motorista dava, a cada partida.


Eu ouvia atentamente, tentando entender até onde iria. Com uma vontade de partir com ele

Ele entrou assim de repente e se agarrou na barra de ferro amarela que fica bem ao lado da porta de entrada, em frente a porta de saída, junto a sanfona do ônibus. Cabeça baixa, não chamou a atenção de praticamente nenhum dos passageiros, uns vinte, todos entretidos com os seus smartphones, surdos com os seus fones de ouvido.

Apenas a cobradora, uma mulher com os dedos cheios de anéis e os olhos pintados de azul, olhou para ele de cima a baixo, mas desviou o olhar assim que começou a falar sozinho. As cobradoras estão acostumadas com pessoas como ele, que entram nos ônibus e se recusam a passar na catraca, descem pela porta da frente. Andarilhos, anárquicos, livres.

Era um senhor que aparentava uns sessenta e poucos anos, maltratado pela vida. Vestia um jogging azul quase preto, ruço, uma camiseta cinza com os dizeres University of Florida, bem surrada, certamente comprada na 25.  Ele calçava um par de sapatos empoeirados, sem meias. O homem não olhou para ninguém, e de cabeça baixa ficou. Parecia ter os olhos fixos para o chão sujo de pó, gasto pelo tempo, típico de coletivo. Quase não se movimentava, mesmo com os solavancos que o motorista dava, a cada partida.

Eu poderia ir pra Lima, no Peru

Pequim, na China

Bogotá, na Colômbia

Buenos Aires, na Argentina

Eu poderia ir pra Nova Delhi, na Índia

Londres, Inglaterra

Paris, França

Berna, Suíça

Montevidéu, Uruguai

O ônibus sacudia muito, fazia curvas fechadas, seguia por retas e voltava a fazer curvas, rasgando a cidade, rumo a Avenida Paulista. O calor lá fora era sufocante, o tal aquecimento global a todo vapor. Dentro do ônibus, uma temperatura agradável, amenizada pelo ar condicionado que funcionava mais ou menos. Quando parava no ponto e abria a porta, vinha aquele ar quente sufocante que passeava em círculos entre os passageiros.

Eu poderia ir para Estocolmo, na Suécia

Nova York, nos Estados Unidos

Berlim, na Alemanha

Damasco, Síria

Beirute, Líbano

Eu poderia ir pra Cidade do México, no México

Istambul, na Turquia

Copenhague, Dinamarca

Moscou, Rússia

A cobradora olhava desconfiada, um pouco curiosa com aquele senhor recitando capitais e países como se estivesse rodando um globo terrestre. Ele levava em uma das mãos, uma sacola reciclável do supermercado Pão de Açúcar, bastante estropiada.

Continuava agarrado na barra de ferro amarela e eu ao lado dele, ouvindo sua aula de geografia, espiando dentro da sua sacola. Dava pra ver apenas alguns panos, não sei se de chão ou de prato. Pareciam sacos comuns, encardidos, enrolados. 

 

 

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