Atendimento da Secretaria: Segunda a Sexta - 08h às 11h30 / 13h30 às 17h e Sábado 08h ás 12h - Telefone: 3241-2150

Eles não podem vencer: a intolerância não pode sufocar a voz dos tolerantes

 

Em 22 de julho de 2011, Anders Breivik cometeu o pior atentado terrorista da História norueguesa, matando 77 pessoas. Primeiro, ele detonou um carro-bomba na frente de um edifício governamental e, em seguida, rumou para a ilha de Utøya, onde estava sendo realizado um encontro de jovens líderes do Partido Trabalhista, e abriu fogo contra centenas de adolescentes.

Este não foi o primeiro atentado perpetrado por um extremista de direita, mas, sem dúvida alguma, criou uma estética que passou a ser reproduzida posteriormente. Assim como ele mesmo previu, os atos de Breivik se tornaram uma brutal referência para a direita radical.

Horas antes de cometer o atentado, o terrorista enviou para sua lista de contatos um manifesto com quase 1500 páginas explicando a sua visão de mundo. Nele, você reconhece temas recorrentes da extrema-direita, tanto brasileira quanto estrangeira: antimarxismo, antifeminismo, repúdio a minorias étnicas, religiosas e culturais, elementos de fascismo, supremacia branca e rejeição ao progressismo e multiculturalismo; em essência, a agenda dita “conservadora” atual e que pode ser identificada tanto na fala de determinados políticos direitistas quanto de influenciadores digitais.

Em 15 de março de 2019, inspirado no atentado de Breivik, o australiano Brenton Tarrant invadiu duas mesquitas na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, e assassinou a sangue frio 51 fiéis muçulmanos. Tarrant também publicou um manifesto em fóruns da internet, conhecidos como chans, onde extremistas se congregam e compartilham livremente suas noções intolerantes e repletas de ódio, inclusive celebrando quando este tipo de massacre é realizado.

Então, semana passada, Patrick Crusius viajou do subúrbio de Dallas por nove horas até a cidade de El Paso, na fronteira dos EUA com o México, entrou num shopping center e disparou contra as pessoas, matando 22 pessoas, em sua maioria imigrantes ou descendentes de imigrantes mexicanos. Ele também publicou um manifesto num fórum da internet, o 8chan, conhecido por seu conteúdo altamente tóxico.

Nestes três casos, unidos por um padrão reconhecível, identificamos pelo menos dois grandes problemas.

O primeiro deles tem a ver com o poder da retórica intolerante e da livre propagação do ódio pelas redes sociais.

Sabemos que há pessoas racistas e repletas de ódio neste mundo, mas, geralmente, elas se mantêm isoladas ou reunidas em pequenos grupos. No entanto, a internet abriu a possibilidade para que estes indivíduos pudessem se encontrar onde quer que estejam no mundo e, através do contato com outros extremistas, reforcem as suas convicções. Já sabemos também que a própria estrutura da internet favorece a radicalização. As redes sociais, em particular, operam através de formação de bolhas e da recomendação de conteúdo que aumente o nosso engajamento e interação.

 

 

Sobre

Relacionamento

Siga-nos

Credibilidade

Entre em contato

Endereço

Colabore com a gente

Copyright © All rights reserved.